Tumores das glândulas salivares: nódulos, sinais e diagnóstico
- Dr. Marcelo Brasileiro Vaz
- há 3 dias
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O que é?
As glândulas salivares produzem a saliva, que lubrifica a boca, dá início à digestão e ajuda a proteger contra infecções. As maiores são as parótidas (na frente das orelhas), as submandibulares (abaixo da mandíbula) e as sublinguais (embaixo da língua). Há ainda centenas de glândulas menores espalhadas pela boca e pela garganta.
Os tumores dessas glândulas costumam se manifestar como um nódulo (caroço), muitas vezes sem dor, e a maior parte deles aparece na parótida.
Quais são as principais alterações?
Nem todo nódulo em uma glândula salivar é câncer. Na verdade, a maioria dos tumores dessa região é benigna, ou seja, sem malignidade, sendo o adenoma pleomórfico o tipo benigno mais comum.
Ainda assim, todo nódulo merece ser avaliado, porque só o exame consegue diferenciar as situações. Um crescimento rápido, dor ou fraqueza nos músculos do rosto são sinais que aumentam a preocupação com malignidade e a necessidade de investigação.
Fatores de risco
Entre os fatores de risco estão a idade mais avançada e a exposição prévia à radiação na região da cabeça e do pescoço.
O tabagismo está associado a um tumor benigno específico (o tumor de Warthin), e algumas exposições ocupacionais também aparecem entre os fatores relacionados.
Sintomas
O sintoma mais comum é o aparecimento de um nódulo ou inchaço, geralmente sem dor, na frente da orelha, na região da mandíbula ou no pescoço.
Sinais que merecem avaliação mais atenta incluem dor persistente no local, assimetria do rosto, perda de sensibilidade ou fraqueza na musculatura da face e dificuldade para engolir.
Diagnóstico
A investigação começa com o exame clínico e costuma incluir a ultrassonografia, que ajuda a caracterizar o nódulo. Em muitos casos, faz-se a punção com agulha fina (PAAF), um procedimento simples em que se coleta uma pequena amostra para análise.
Tomografia ou ressonância podem ser indicadas para avaliar melhor a extensão do tumor e a sua relação com as estruturas vizinhas, sobretudo o nervo facial.
Tratamento
A cirurgia é o principal tratamento dos tumores de glândula salivar, e a técnica depende da glândula afetada.
Na parótida, a operação é delicada porque o nervo que comanda os movimentos do rosto (nervo facial) passa por dentro dela. Em tumores mais superficiais, remove-se a parte externa da glândula (parotidectomia superficial), preservando o nervo; em tumores mais profundos, pode ser necessária a retirada completa (parotidectomia total). Durante a cirurgia, costuma-se usar um monitor do nervo facial para reduzir o risco de sequelas. Na glândula submandibular, em geral remove-se a glândula inteira.
Vale destacar que mesmo tumores benignos costumam ser operados, porque podem crescer e, com o tempo, ter risco de transformação. Nos casos malignos, a radioterapia pode ser indicada como complemento à cirurgia em algumas situações, e a quimioterapia é reservada a casos mais avançados. O plano é sempre individualizado.
Percebeu um caroço na frente da orelha ou no pescoço? Vale agendar uma avaliação, mesmo que não haja dor.
Curiosidades
Um adulto produz, em média, de 1 a 1,5 litro de saliva por dia, quase tudo sem que a gente perceba.
A saliva é composta por cerca de 99% de água. O restante são substâncias que iniciam a digestão, protegem contra infecções e ajudam a manter a boca saudável.
A parótida, na frente da orelha, é a maior das glândulas salivares. Curiosamente, quem produz a maior parte da saliva é a glândula submandibular, embaixo da mandíbula.
Assim como nos rins, também podem se formar “pedras” (cálculos) nas glândulas salivares, com mais frequência na submandibular. Elas bloqueiam a saída da saliva e causam inchaço, principalmente na hora das refeições.
Além das glândulas grandes, temos de 800 a 1.000 glândulas salivares menores espalhadas pela boca e pela garganta.
Ao contrário do que muita gente imagina, a maioria dos tumores das glândulas salivares é benigna, ou seja, sem malignidade.
O nervo responsável pelos movimentos do rosto passa por dentro da parótida. Por isso, fraqueza ou assimetria na face é um sinal que sempre merece investigação.
A saliva também tem papel no paladar: ela dissolve os alimentos e permite que as papilas gustativas identifiquem os sabores.
