top of page

Câncer de faringe (orofaringe), HPV e os sinais que merecem atenção

  • Dr. Marcelo Brasileiro Vaz
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

O que é?

A faringe é o canal que liga o nariz e a boca ao esôfago e à laringe. É por ela que passam tanto o ar que respiramos quanto o alimento que engolimos.

A parte mais relacionada a esses tumores é a orofaringe, que fica no fundo da boca e inclui as amígdalas, a base da língua e o céu da boca mole (palato mole).


Quais são as principais alterações e o papel do HPV?

A maioria dos tumores da faringe é do tipo carcinoma espinocelular. Nas últimas décadas, o HPV (papilomavírus humano) passou a ter um papel importante nesses tumores, sobretudo na orofaringe.

Essa é uma diferença relevante: os tumores ligados ao HPV costumam responder melhor ao tratamento e ter melhor prognóstico do que os relacionados ao cigarro e ao álcool. Uma característica dessa região é que o tumor pode ser pequeno e, mesmo assim, já se manifestar como um caroço (íngua) no pescoço.


Fatores de risco

Os fatores de risco clássicos são o cigarro e o álcool, especialmente quando associados. A eles soma-se, hoje, a infecção pelo HPV, transmitida por contato íntimo, incluindo o sexo oral.

A vacina contra o HPV e o uso de preservativo ajudam a reduzir esse risco. A maioria das infecções por HPV desaparece sozinha; apenas as persistentes é que podem, com o tempo, levar a alterações nas células.


Sintomas

Os sintomas mais frequentes são dor de garganta que não passa, dor de ouvido de um lado só e a sensação de que algo está preso na garganta.

Em fases mais avançadas, podem surgir dificuldade para engolir e o aparecimento de um gânglio (íngua) no pescoço. Como esses sinais se parecem com os de uma inflamação comum, qualquer sintoma que persista por mais de duas ou três semanas merece atenção.


Diagnóstico

O diagnóstico é confirmado pela biópsia da lesão suspeita, ou seja, a retirada de um pequeno fragmento para análise.

Nos tumores de orofaringe, costuma-se fazer também um exame específico para verificar a presença do HPV (a pesquisa da proteína P16), informação que hoje é fundamental para definir o tratamento e o prognóstico. Exames de imagem, como tomografia, ressonância ou PET, completam a avaliação e ajudam a planejar a conduta.


Tratamento

O tratamento depende do estágio e da localização do tumor, e da presença ou não do HPV. As principais modalidades são a radioterapia (muitas vezes combinada com quimioterapia) e a cirurgia, incluindo a cirurgia transoral (feita pela boca), por vezes com auxílio de robótica, que é menos invasiva.

A escolha entre essas abordagens, isoladas ou combinadas, é individualizada. Nos tumores associados ao HPV, que respondem melhor, há uma tendência, ainda em estudo, de desescalonamento, ou seja, de tratamentos menos intensos que buscam manter as altas taxas de cura e reduzir os efeitos colaterais de longo prazo.

A reabilitação da deglutição e da fala faz parte do cuidado, especialmente quando a região tratada envolve estruturas importantes para engolir e falar.

Se algum desses sintomas persiste, não espere passar. Agende uma consulta para uma avaliação cuidadosa.


Curiosidades

  • Em 2013, o ator Michael Douglas atribuiu publicamente seu câncer de garganta ao HPV. O episódio ajudou a chamar a atenção do mundo para a relação entre o vírus e os tumores de orofaringe.

  • A faringe é uma via compartilhada: por ela passam tanto o ar que respiramos quanto o alimento que engolimos.

  • Nas últimas décadas, o HPV mudou o perfil desse câncer. Hoje boa parte dos tumores de orofaringe está ligada ao vírus, e não apenas ao cigarro e ao álcool.

  • Os tumores associados ao HPV costumam responder melhor ao tratamento do que os causados por tabaco e bebida.

  • A vacina contra o HPV, disponível no SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos, ajuda a prevenir esses tumores. Em 2026, a indicação da vacina foi ampliada para incluir a prevenção de cânceres de cabeça e pescoço.

  • Um detalhe importante: o tumor de faringe pode ser pequeno e, mesmo assim, já aparecer como uma íngua no pescoço.

  • Existe um exame específico (a pesquisa da proteína P16) que identifica se o tumor está ligado ao HPV, informação hoje essencial para planejar o tratamento.

  • No Brasil, são cerca de 39 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano, e a maioria ainda é descoberta em fase avançada. Por isso a atenção aos sintomas faz tanta diferença.

 
 
 

Comentários


©2026 por Dr. Marcelo Brasileiro Vaz.
CRM-DF 25.955 / RQE 17.059
Hospital Sírio-Libanês – SGAS 614 Lote 99, Ed. Vitrium, Asa Sul, Brasília - DF
WhatsApp: (61) 99568-2266

bottom of page