Câncer de boca: sinais de alerta, fatores de risco e diagnóstico
- Dr. Marcelo Brasileiro Vaz
- há 20 horas
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O que é?
A cavidade oral, ou boca, inclui os lábios, a língua, a gengiva, a parte interna das bochechas, o assoalho da boca (embaixo da língua) e o céu da boca duro (palato). O câncer de boca surge quando as células que revestem essas estruturas passam a se multiplicar de forma descontrolada.
É uma região que examinamos com facilidade, o que torna o diagnóstico precoce mais acessível, inclusive na consulta odontológica de rotina. Quanto mais cedo é identificado, maiores são as chances de um tratamento menos agressivo e de bons resultados.
Quais são as principais alterações?
A grande maioria dos tumores de boca é do tipo carcinoma espinocelular, que se origina nas células que revestem a mucosa.
As lesões podem aparecer como feridas (úlceras) que não cicatrizam, como manchas esbranquiçadas (leucoplasia) ou avermelhadas (eritroplasia) que não desaparecem, ou como pequenos crescimentos na mucosa. Algumas dessas manchas podem ser lesões pré-malignas, ou seja, que antecedem o câncer, e por isso também merecem avaliação.
Fatores de risco
Os principais fatores de risco são o tabaco, em todas as suas formas (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé e cigarro de palha), e o álcool, sobretudo quando usados juntos, situação em que o risco aumenta de forma importante.
A exposição ao sol sem proteção conta para o câncer de lábio, especialmente em quem trabalha ao ar livre. O HPV, uma alimentação pobre em frutas e vegetais e o uso de próteses dentárias mal ajustadas, que ferem a mucosa de forma crônica, também estão entre os fatores associados.
Sintomas
O sinal mais importante é uma ferida na boca ou no lábio que não cicatriza em até duas semanas. Merecem atenção também as manchas esbranquiçadas ou avermelhadas que não somem, caroços nos lábios, na boca ou no pescoço, e dor ou sangramento sem causa aparente.
Em fases mais avançadas, pode haver dificuldade para mastigar, engolir ou falar, dor de ouvido persistente de um lado só e a sensação de um dente amolecido sem explicação dentária.
Diagnóstico
A avaliação é feita pelo exame clínico da boca, observando o aspecto e a textura das lesões. Diante de uma lesão suspeita, retira-se um pequeno fragmento para análise em laboratório (biópsia), que é o exame que confirma o diagnóstico.
Quando necessário, exames de imagem, como tomografia ou ressonância, complementam a avaliação, ajudando a definir a extensão do tumor e a verificar os linfonodos (gânglios) do pescoço.
Tratamento
O tratamento depende do tamanho, da localização e da extensão do tumor, e costuma envolver uma equipe multidisciplinar. As principais modalidades são cirurgia, radioterapia e quimioterapia, usadas isoladamente ou em combinação.
A cirurgia geralmente é a base do tratamento: consiste em remover o tumor com uma margem de tecido saudável ao redor. Dependendo da localização, pode incluir a retirada de parte da língua (glossectomia), de parte do osso da mandíbula (mandibulectomia) ou do palato (maxilectomia). Quando há risco de disseminação, faz-se também o esvaziamento cervical, a retirada dos linfonodos do pescoço. Em cirurgias maiores, a reconstrução com retalhos (tecido trazido de outra parte do corpo) ajuda a restaurar a forma e as funções da região.
A radioterapia e a quimioterapia podem ser usadas antes ou depois da cirurgia, ou como tratamento principal em algumas situações. Cuidados importantes incluem a avaliação odontológica antes da radioterapia e a reabilitação da fala e da deglutição após o tratamento. O diagnóstico precoce é o que permite cirurgias menores e melhor recuperação.
Feridas na boca que não cicatrizam merecem ser avaliadas. Na dúvida, agende uma consulta.
Curiosidades
Um dos casos mais conhecidos de câncer de boca é o de Sigmund Freud, fumante de charutos, que conviveu com a doença por 16 anos e passou por dezenas de cirurgias. É um lembrete histórico da forte ligação entre o tabaco e os tumores da boca.
A boca é uma das poucas regiões do corpo que dá para examinar a olho nu, o que torna o diagnóstico precoce mais acessível.
O dentista costuma ser o primeiro a perceber uma lesão suspeita. A consulta odontológica de rotina é uma aliada importante na detecção.
A regra prática é simples: uma ferida na boca ou no lábio que não cicatriza em até duas semanas merece avaliação.
O câncer de lábio tem relação direta com o sol. Quem trabalha ao ar livre deve usar protetor labial com filtro solar.
O tabaco em todas as formas (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé e cigarro de palha) entra na conta dos fatores de risco, não só o cigarro tradicional.
Cigarro e álcool usados juntos aumentam muito mais o risco do que cada um separadamente.
A vacina contra o HPV e o uso de preservativo no sexo oral também ajudam a reduzir o risco de tumores nessa região.




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