Câncer de laringe: rouquidão persistente e outros sinais de alerta
- Dr. Marcelo Brasileiro Vaz
- 6 de jul.
- 3 min de leitura
O que é?
A laringe fica na parte da frente do pescoço, entre a base da língua e a traqueia, e é onde estão as pregas vocais (as chamadas cordas vocais). Ela tem duas funções principais: permitir a fala e proteger as vias respiratórias, direcionando o alimento para o esôfago no momento de engolir.
Por causa dessa ligação direta com a voz, alterações na laringe costumam se manifestar cedo, o que favorece o diagnóstico precoce, especialmente quando o tumor começa nas pregas vocais.
Quais são as principais alterações?
A laringe é dividida em três regiões: a supraglote (acima das pregas vocais), a glote (onde ficam as pregas vocais) e a subglote (abaixo delas). A localização do tumor influencia tanto os sintomas quanto o tratamento.
Mais de 95% dos tumores malignos da laringe são do tipo carcinoma espinocelular. Os que começam na glote costumam dar rouquidão logo cedo, o que ajuda no diagnóstico precoce; já os da supraglote podem crescer mais antes de dar sintomas.
Fatores de risco
O tabaco é o principal fator de risco, e o álcool aumenta ainda mais o risco quando somado ao cigarro. O efeito dos dois juntos é bem maior do que o de cada hábito isolado.
Também contribuem a idade mais avançada, o sexo masculino, o refluxo gastroesofágico de longa data e algumas exposições ocupacionais.
Sintomas
O sinal de alerta mais importante é a rouquidão que não melhora. Uma mudança na voz que persiste por mais de duas ou três semanas merece avaliação, mesmo sem dor.
Outros sintomas incluem irritação constante na garganta, tosse que não passa, dificuldade ou dor para engolir, sensação de falta de ar, perda de peso sem explicação e o aparecimento de um caroço no pescoço.
Diagnóstico
A avaliação começa com o exame da laringe por meio de um aparelho fino e flexível, introduzido pelo nariz ou pela boca, que permite ver as pregas vocais de perto (laringoscopia).
Quando há uma lesão suspeita, retira-se um pequeno fragmento para análise (biópsia). Exames de imagem, como tomografia ou ressonância, ajudam a entender a extensão do tumor e a planejar o tratamento.
Tratamento
O tratamento depende da região afetada e do estágio da doença, e um dos objetivos centrais é preservar a voz e a função da laringe sempre que possível.
Nos tumores iniciais, costumam ser suficientes a cirurgia endoscópica a laser (feita pela boca, sem cortes externos) ou a radioterapia, ambas com bons resultados de voz. Nos tumores mais avançados, existem os protocolos de preservação de órgão, que combinam quimioterapia e radioterapia para tentar evitar a retirada da laringe, e, em algumas situações, a cirurgia parcial ou total (laringectomia).
Quando a laringe precisa ser retirada por completo, a reabilitação vocal permite que a pessoa volte a se comunicar, com recursos como a prótese traqueoesofágica (que produz uma voz próxima da natural), a voz esofágica e a laringe eletrônica. Os avanços das últimas décadas tornaram os tratamentos menos agressivos e a recuperação da fala mais viável.
Se você notou algum desses sinais, agende uma avaliação. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as opções de tratamento.
Curiosidades
A primeira remoção completa da laringe (laringectomia total) foi realizada em 1873, pelo cirurgião austríaco Theodor Billroth. Na época era um procedimento ousado; hoje, quem passa por ele pode recuperar a fala com técnicas de reabilitação vocal.
O “pomo de adão” é a saliência da cartilagem que envolve a laringe. Ele existe em todas as pessoas, mas costuma ser mais visível nos homens por causa da ação dos hormônios na puberdade.
O som da voz nasce da vibração das pregas vocais quando o ar passa por elas. Pequenas mudanças nessa estrutura já alteram o timbre e o tom.
A laringe faz três coisas ao mesmo tempo: permite a fala, conduz o ar na respiração e protege as vias respiratórias quando engolimos.
A laringe é o segundo local mais comum de câncer de cabeça e pescoço, quase sempre relacionado ao cigarro e ao álcool.
Justamente por afetar a voz cedo, o câncer que começa nas pregas vocais tende a ser descoberto em fase inicial, o que amplia as chances de tratamento.
Fumar e beber ao mesmo tempo não soma os riscos, multiplica. O efeito combinado é bem maior do que cada hábito isolado.
Muitos tratamentos atuais são planejados para preservar a voz, com técnicas menos invasivas do que as de algumas décadas atrás.




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