Tumores de pele: tipos, sinais de alerta e prevenção
- Dr. Marcelo Brasileiro Vaz
- há 5 horas
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O que é?
A pele é o maior órgão do corpo e funciona como uma barreira de proteção contra o sol, o calor, o frio e os microrganismos. Os tumores de pele surgem quando algumas dessas células passam a se multiplicar de forma descontrolada, na maioria das vezes por causa do dano acumulado da radiação solar ao longo da vida.
É também um dos tipos de tumor mais comuns, principalmente nas áreas mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, couro cabeludo e pescoço. Por serem visíveis, essas lesões costumam ser percebidas cedo, o que faz do autoexame e da atenção da própria pessoa aliados importantes no diagnóstico precoce.
Quais são os principais tipos?
O câncer de pele se divide em dois grandes grupos: o não melanoma (mais comum) e o melanoma (mais raro, porém mais grave).
O carcinoma basocelular é o tipo mais frequente e o menos agressivo. Cresce devagar, raramente se espalha para outros órgãos e costuma aparecer como uma ferida que não cicatriza ou uma lesão avermelhada, brilhante ou perolada.
O carcinoma espinocelular (ou epidermoide) é o segundo mais comum. Costuma se apresentar como uma lesão áspera, espessa, que às vezes descama ou sangra, e tem um potencial um pouco maior de se espalhar quando não tratado.
O melanoma é bem menos frequente, mas é o mais grave, porque pode se disseminar para outras partes do corpo (metástase). Em geral surge a partir de uma pinta nova ou de uma que muda de aspecto. Justamente por isso, a atenção às pintas e o diagnóstico precoce fazem toda a diferença.
Fatores de risco
O principal fator de risco é a exposição ao sol ao longo da vida, especialmente quando há queimaduras solares, e sobretudo na infância e na adolescência. Pessoas de pele, olhos e cabelos claros, que se bronzeiam com dificuldade, estão mais expostas.
Também aumentam o risco: histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, ter muitas pintas, sistema imunológico enfraquecido, idade mais avançada e trabalho ou lazer com exposição solar frequente sem proteção.
Sintomas e sinais de alerta
Vale procurar avaliação diante de uma pinta ou mancha nova que cresce, de uma ferida que não cicatriza em algumas semanas, ou de uma lesão que coça, sangra ou muda de aparência.
Para as pintas, uma forma prática de observação é a regra ABCDE: Assimetria (metades diferentes), Bordas irregulares, Cor com vários tons, Diâmetro maior que 6 mm (cerca da ponta de um lápis) e Evolução, isto é, qualquer mudança ao longo do tempo. Diante de qualquer um desses sinais, o ideal é buscar avaliação.
Diagnóstico
A avaliação começa pelo exame da pele, muitas vezes com o auxílio de uma lente de aumento com iluminação própria (dermatoscopia), que ajuda a distinguir lesões benignas das suspeitas.
Quando há suspeita, retira-se um fragmento da lesão para análise em laboratório (biópsia), exame que confirma o diagnóstico e define o tipo. No caso do melanoma, a espessura da lesão é uma informação importante para orientar a conduta, e em alguns casos investiga-se o primeiro linfonodo que drena a região (linfonodo sentinela) para saber se houve disseminação.
Tratamento
O tratamento depende do tipo, do tamanho, da localização e da profundidade da lesão, e é sempre individualizado.
Nos tumores não melanoma, a cirurgia costuma ser o tratamento principal: a retirada da lesão com uma margem de pele saudável ao redor. Em áreas delicadas do rosto (nariz, pálpebra, orelha), pode-se usar a cirurgia micrográfica de Mohs, que remove a lesão em camadas com análise imediata das bordas, preservando ao máximo o tecido sadio. Outras opções para lesões pequenas e superficiais incluem a curetagem com eletrocoagulação, a criocirurgia (congelamento) e, em casos selecionados, cremes específicos (como 5-fluorouracil e imiquimode) ou a terapia fotodinâmica. A radioterapia pode ser indicada quando a cirurgia traria prejuízo estético ou funcional. Nas fases iniciais, as chances de cura são altas.
No melanoma, a cirurgia com margem adequada é a base do tratamento, e a avaliação do linfonodo sentinela pode ser indicada. Em casos mais avançados, o tratamento envolve medicações que agem em todo o corpo, como a imunoterapia (que estimula o sistema imunológico a combater o tumor) e a terapia-alvo (voltada a mutações específicas do tumor).
Depois do tratamento, o acompanhamento regular e a proteção solar diária são essenciais, porque quem já teve um câncer de pele tem risco maior de desenvolver outro.
Uma lesão de pele que muda, cresce ou não cicatriza merece atenção. Agende uma avaliação para tirar a dúvida.
Curiosidades
O cantor Bob Marley morreu de um melanoma que surgiu embaixo da unha do pé. O caso é lembrado até hoje porque mostra que o câncer de pele também pode acontecer em pessoas de pele negra e em locais pouco expostos ao sol.
A pele é o maior órgão do corpo humano, e também um dos locais mais comuns para o surgimento de tumores.
O câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil e representa cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país.
O tipo mais comum, o carcinoma basocelular, é também o menos agressivo e tem baixa taxa de mortalidade, apesar de acontecer com muita frequência.
O melanoma é bem mais raro, mas é o mais grave, porque pode se espalhar. Por isso a atenção às pintas faz tanta diferença.
As áreas mais atingidas são justamente as mais expostas ao sol: rosto, orelhas, couro cabeludo e pescoço.
A exposição ao sol na infância e na adolescência pesa no risco ao longo da vida. Proteger as crianças é um investimento de longo prazo.
O autoexame regular da própria pele é uma das ferramentas mais poderosas de detecção precoce, e não custa nada.
A regra ABCDE (Assimetria, Bordas, Cor, Diâmetro e Evolução) é um jeito simples de lembrar o que observar em uma pinta.




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